Arborização

O blog Alcoutim Livre reproduz uma notícia publicada no dia 8 de Outubro de 1985, pelo jornal Correio da Manhã, onde se anuncia um "projecto de reflorestação nacional, financiado pelo Banco Mundial (..) acordado há cerca de dois anos" que "estipula a arborização com espécies produtoras de madeira de cento e cinquenta mil hectares em todo o País, dos quais noventa mil a cargo do Estado e os restantes da Portucel (…) o objectivo de tal projecto é, simplesmente, «atingir esses cento e cinquenta mil hectares no mais curto espaço de tempo»”. Um “técnico da Direcção-Geral de Florestas referiu que o plano da reflorestação do Nordeste algarvio, que não se integra, no referido «projecto de reflorestação nacional», obedece a princípios totalmente diferentes”. Nessa zona “não se vão plantar eucaliptos nem pinheiros, mas sim espécies autóctones e adaptadas ao seu clima e solo, tais como medronheiros, alfarrobeiras, amendoeiras, sobreiros e azinheiras”. Três décadas passadas, 40% do concelho de Alcoutim está arborizado, quase na totalidade, com pinheiro-manso. Fernandilho, Alcoutim.

The blog Free Alcoutim publishes a Correio da Manhã’s newspaper article, dating from 8th October 1985, announcing “a national reforestation project financed by the World Bank (…) agreed about two years ago” that “stipulates the afforestation all over the country with timber producing species on a hundred and fifty thousand hectares. Ninety thousand will be the government’s responsibility, the remaining sixty thousand Portucel’s – Portugal’s biggest paper paste producing company – (…) the aim of this project is to simply «achieve these hundred and fifty thousand hectares in the shortest possible time lapse». A technician from the General Forest Direction stated that the northern Algarve’s reforestation plan is not incorporated in the «national reforestation project», as it complies with totally different principles”. This area “will not be planted with eucalyptus nor pine trees but with autochthone species adapted to the climate and soil, as strawberry, carob, almond, and cork oak and holm oak trees”. Three decades later 40% of the Alcoutim County is afforested almost entirely with stone pines. Fernandilho, Alcoutim.

No nordeste algarvio, uma das zonas do país mais propensas à desertificação, as várias tentativas de plantação de sobreiro e azinheira apresentaram taxas de sucesso reduzidas. As regras para atribuição de apoios aos projectos de reflorestação obrigam a um número mínimo de árvores por área plantada e os produtores começaram a adotar o pinheiro-manso. Esta nunca foi uma zona de pinheiro, mas a espécie tem uma grande capacidade de adaptação à adversidade. Implica menor reposição de exemplares e pode ser utilizada como pioneira, ou seja, formadora de solos. Vista como rentável porque cresce mais depressa, dá pinhão, resina e madeira, pareceu ser uma boa escolha. Os contratempos e as críticas chegaram mais tarde: plantadas em grande quantidade, muito próximas umas das outras, competindo entre si num ambiente de fracos recursos, as árvores não são produtivas. Desenvolvem-se menos, quase não dão pinhão e a madeira é mole. O risco de incêndio e de propagação de pragas é elevado. E ainda, pelo facto de se tratar de uma monocultura, levanta questões relacionadas com a perda de biodiversidade. A discussão actual incide sobre a necessidade de abater árvores e o que fazer com a madeira. Corte Tabelião, Alcoutim.

Several attempts to plant cork and holm oaks in the north-eastern Algarve, one of the country’s areas most prone to desertification, have met with reduced success. As the rules for awarding support to reforestation projects imply a minimum of planted trees per area, producers came to prefer the stone pine. This has never been a pine zone but the species shows a great capacity to adapt to adversities. There is less need for replanting and it can be used as a pioneer to build up the soil. It seemed to be a good choice: it is considered profitable because of its faster growth and it produces pine-nuts, resin and wood. The setback and criticisms came later: if planted in great quantity very close to each other they become unproductive, as they compete in a weak resources environment. They develop slower, produce almost no pine-nuts and their wood doesn’t harden. The risk of fires and spreading plagues is high. On top of that, this monoculture raises questions about biodiversity loss. The need to haul down trees and the destiny of their wood are presently being discussed. Corte Tabelião, Alcoutim.

Eucaliptos a crescerem em cima da rocha no vertedor de uma pequena barragem. Água Velha, Silves.

Eucalyptus trees growing on a small dam’s spillway rocks. Água Velha, Silves.

Árvores doentes e mortas avistam-se serra fora. As principais vítimas são sobreiros e azinheiras. A Doença da Tinta tem progredido sem dar sinais de cansaço. Phytophthora cinnamomi é o organismo predominante nesta infecção que impede a absorção de água e nutrientes, provoca o apodrecimento das raízes e conduz à morte. O solo do Algarve está quase todo contaminado com esta espécie exótica invasora, originária da Ásia e para a qual não existe cura. Entretanto, há projectos de investigação na área guardados na gaveta por falta de financiamento. Barranco do Velho, Loulé.

Sick and dead trees can be spotted all over the hills. The cork and holm oaks are the main victims. Their ailment called “Paint Disease” has progressed without fatigue. The infection’s predominant organism is Phytophthora cinnamomi: it obstructs water and nutrients absorption, roots rot away and the trees die. Almost the entire Algarvian soil is contaminated with this exotic invader species originating from Asia, to which exists no cure. However, there are investigation projects in the area. They are kept in a drawer because of a lack of finances. Barranco do Velho, Loulé.

A queda das folhas e a morte progressiva dos ramos são sintomas tardios da presença da doença da tinta. A exposição das árvores a condições precárias fragiliza-as e favorece o desenvolvimento do mal. Zebro de Cima, Silves.

The leaves’ falling and branches’ progressive dying off are the “Paint Disease’s” untimely symptoms. Exposure to precarious conditions weakens the trees and favours the ailment’s development. Zebro de Cima, Silves.

A paisagem é agreste, mas carregada de esperança. Ao longe, um povoamento recente de alfarrobeiras, azinheiras e sobreiros cresce lentamente. Teixeira da Palma, o dono, deixa para os netos a experiência de conhecerem as árvores adultas. Alcaria, Alcoutim.

This is a rugged landscape, yet full of hope. In the distance a stand of carob, holm oak and cork oak trees is slowly growing. Its owner, Teixeira da Palma, leaves the experience to discover adult trees to his grand-children. Alcaria, Alcoutim.